Carraças

O
que é a carraça?
A carraça é um ectoparasita que
usa uma vasta gama de hospedeiros para se
alimentar através do seu sangue:
equinos, suínos,
cães, gatos, ruminantes, aves,
roedores, etc.
Das cerca de 800 espécies
que há em todo o mundo, em Portugal existe uma dezena
e, dentro deste grupo, há especialmente duas espécies que
merecem a nossa atenção por serem as que parasitam os nossos
cães. Vamos muito sumariamente classificá-las com base em
aspectos morfológicos básicos, assim:
Carraças"duras", em que a cutícula que as reveste é
dura. Esta espécie assemelha-se a um "vulgar" insecto, tipo
escaravelho.
Carraças"moles",
em que a cutícula é mole. Esta espécie fixa-se de preferência
nas orelhas dos
animais e incha quando fica repleto de sangue,
assemelhando-se a um
feijão.
Ciclo de vida
O ciclo de vida da carraça divide-se em 4 fases de
desenvolvimento: o ovo, a
larva, a ninfa e o adulto.
Um único hospedeiro pode ser parasitado por todos
estes ciclos de vida da carraça.
Uma carraça adulta pode criar milhares de ovos, que
se libertarão do hospedeiro
caindo no solo e aqui se desenvolvendo, se encontrarem condições
propícias, que
são preferencialmente zonas de vegetação de baixa ou média altura e
com algum
grau de humidade.
Como se "ganham" carraças?
As carraças atingem o corpo do cão por contacto directo. Como
não voam nem saltam,
normalmente instalam-se nas ervas e nos arbustos e esperam que o
seu futuro
hospedeiro passe e roce essa vegetação, dispondo para o efeito de
uma
sensibilidade especial que lhe permite detectar a aproximação e
passagem da
vítima.
Como evitar a infestação?
Infelizmente, não há nenhum esquema de tratamento
preventivo. Se o cão frequenta áreas infestadas por carraças,
ele certamente ficará sujeito a apanhá-las. As zonas com
vegetação rasteira e arbustos são as mais arriscadas. No
entanto, elas podem existir nos
pavimentos, nas frestas de muros e, assim, durante um passeio a uma
praça ou um
jardim público, o cão pode infestar-se. E o mesmo pode acontecer
nos nossos
quintais ou jardins privados, se a desinfestação não tiver sido
feita de forma
integrada.
Como combater a
carraça?
Tal como acontece como as pulgas, a carraça não deve
combater-se apenas no corpo do animal, mas também
no ambiente.
Em todos os seus estágios de vida (desde larva até adulto),
a carraça é muito resistente. Por isso, é muito difícil
combatê-la.
Eliminá-la do cão é relativamente fácil, seja catando-a com
uma pinça* ou através de
antiparasitários específicos. Mas as formas invisíveis do seu ciclo
de vida, os
ovos e as larvas, permanecerão no ambiente e nele sobreviverão
durante muitos
meses se não forem tomadas medidas adequadas.
Quando se usa uma pinça para arrancar a carraça, deve
ter-se o cuidado de usar previamente álcool ou éter para
"adormecer" o parasita. É que este usa umas garras para
se fixar na pele no cão e estes líquidos, para além de
desinfectarem a picada,
ajudam a sua remoção. De outra forma, à força, o parasita é
retirado mas as
garras ficam agarradas à pele, podendo causar uma reação
posteriormente.
Em relação aos espaços públicos, quaisquer medidas a nível
individual são ineficientes. A solução mais sensata para
evitar que o cão apanhe carraças consiste em evitar levá-lo
para
locais infestados. De qualquer modo, se tal não for possível,
deverá efectuar-se
uma inspecção a todo o corpo do animal ao regressar-se a casa.
Em muitos casos, como se referiu, as carraças andam no solo
e agarram-se às patas, pelo que não se deve deixar de vigiar
essas zonas, inclusive entre os dedos.
No nosso ambiente doméstico, seja dentro de casa ou no
jardim, todos os locais deverão ser desinfectados
com insecticidas apropriados, mas tendo sempre especial
atenção que esses produtos não venham a intoxicar o
animal.
Parasiticidas
Por mera questão de princípio, não vamos indicar marcas de
produtos, os quais, aliás, devem ser receitados pelo
veterinário assistente.
Encontram-se à venda no mercado variados produtos para o
combate das carraças, tais como líquidos, sprays e colares.
Mas não caia na tentação de os usar indiscriminadamente ou
por mero conselho do responsável da loja ou de um amigo ou
conhecido. Nunca dispense
o conselho do veterinário, que lhe poderá indicar não só o produto
mais adequado
como também o método mais eficaz para combater o
parasita.
Alguns parasiticidas combatem
tanto as pulgas como as carraças e, basicamente, são os mais
recomendados para
não sujeitar o animal à toxicidade destes produtos, que é sempre
prejudicial.
Nisto, como em tudo, deve
haver um equilíbrio. Combater os parasitas, sim, mas não dar cabo
da saúde do
cão. Estes produtos são concebidos para não causarem danos graves
ao animal mas,
quando em excesso, poderão ser mesmo muito prejudiciais.
Não esquecer que muitas das substâncias tóxicas que compõem
os parasiticidas são acumulativas, isto é, o organismo não se
desembaraça delas na sua totalidade, agravando-se a dose
de tóxicos absorvida pelo organismo com as sucessivas
aplicações.
Doenças transmissíveis
Só as carraças portadoras de agentes infecciosos transmitem
doenças ao cão: a erlichiose e a babesiose e borreliose.
As carraças portadoras desses micróbios (protozoários -
seres unicelulares microscópicos),
transmiti-los-ão aquando da picada destas no animal. Estes
protozoários vão
"colonizar" os glóbulos vermelhos e/ou as células mononucleares do
hospedeiro
provocando, após um período de incubação de 1-3 semanas, sinais
de doença.
Assim, as carraças devem ser removidas o mais rapidamente
possível de forma a limitar o tempo de transmissão dos agentes
causadores de doenças, pois não há forma de determinar se elas
são ou não portadoras desses agentes infecciosos.
Ter também em atenção que basta uma ou duas carraças
portadoras dessas formas infectantes para que o cão contraia
uma dessas doenças.
Assim, a vigilância deve ser constante e qualquer sinal de
apatia, febre, falta de apetite e mucosas (gengivas ou
conjuntiva) pálidas em cães que costumam ter carraças, é motivo
de
uma visita ao veterinário que, através da análise sanguínea, poderá
detectar a
Babesiose ou a Erlichiose. Estas doenças são tratáveis
mas quando diagnosticadas a tempo.